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17.9.10

Algumas palavras mais

Hoje voltando para casa, entre um olhar à paisagem que corre para trás e as palavras de Clarice Lispector questionei-me o por quê de estar lendo aquele livro. Antigamente lia Paulo Coelho e Eddie Van Feu, hoje Álvares de Azevedo e Clarice Lispector, quanta mudança.
Hoje vejo Paulo e Eddie como leituras fracas de alguma forma ordinárias. As palavras não alcançam minha alma pelas letras deles. Não chamaria isso de evolução, apenas de mudança.
Um pobre ignorante do interior talvez não soubesse usar os comprimidos que curariam sua doença permanentemente, mas sabe usar uma erva colhida ali mesmo, perto de sua casa. Para essa pessoa, aqueles comprimidos nada mais são que predrinhas que serão engolidas por pessoas infelizes da cidade grande. Talvez até fizesse mal beber as tais pedrinhas coloridas, melhor mesmo é tomar o chá daquela erva. A cura na simplicidade.
Diferente do que alguns pensam, não escolho entre um e outro. Bebo dos comprimidos assim como os chás, procurando a cura em qualquer um deles.
Estou passando por uma nova fase na minha vida. Algumas coisas estão mudando e com elas eu mudo também. Não sinto mais a necessidade de postar meus textos aqui. Quero apenas escrever para mim mesmo e tentar algumas coisas novas. Talvez seja só uma fase mesmo, depois de uma ou duas semanas voltarei a postar aqui os meus textos amadores. Talvez. Ou talvez eu nunca mais volte à escrever aqui.
Obrigado, até logo.

(...)
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
(...)
Raul Seixas

14.9.10

II Carta para Werther

Olá Werther, nunca sei muito bem como começar cartas.
Algumas coisas mudaram desde a ultima vez que escrevi para você. O número de pessoas que posso conversar esta diminuindo mais com o passar do tempo (não, você não conta, afinal nunca esta aqui por perto).
Não sei qual a pior parte de tudo isso, não saber se fazer entender ou questionar "o que ganho em ser entendido?". Talvez eu só queria alguém acreditando em mim, ser a minoria não é fácil; porque tudo o que a maioria fala é tomado como verdadeiro.
Talvez você saiba como é abrir os olhos pela manhã e não querer sair da cama. Olhar o seu quarto e desejar ficar ali o dia inteiro. Sem rostos que possam causar qualquer dor, sem recordações de tempo algum...
Mudei com tudo isso, hoje não me pego usando termos como "sempre" e "nunca mais", agora sei que essas palavras são muito grandes para uma pessoa tão pequena quanto eu. Mas posso dizer meu caro, que isso ainda dói como da primeira vez. É mais ou menos como quebrar a perna, sempre é terrível, mas agora você sabe que não deve ficar tão desesperado e sabe também que aquele sofrimento é fêmero. Um dia conversará com um alguém e contará a historia daquela perna, talvez vocês até se divirtam.
Por favor Werther, não responda com palavras de conforto. A felicidade alheia não é ligada à minha. O sorriso de alguém não vai curar um doente em fase terminal. Enquanto aguardo sua resposta para essa carta, fico aqui com meus amigos livros. Falando em livros, precisamos ter nossas conversas sobre literatura o quanto antes, sinto falta delas.

1.9.10

Cenas vomitadas.

Lucas esta em um canto escuro de uma rua pouco frequentada. A dias Lucas sente uma forte dor na cabeça e náuseas, hoje isso ficou forte demais; Lucas treme perante tanta dor.
Com o dedo indicador na garganta, Lucas logo sente o fluxo de vomito vindo o ácido estomacal queimando por onde passa, lágrimas involuntárias correm em seu rosto.
Ao abrir os olhos Lucas ver nos dejetos vomitador rostos humanos, quando era pequeno via figuras nas nuvens, a mesma quimera repetindo-se hoje mais tarde.
Aqueles rostos trazem tantas recordações, Lucas sente-se como em um cinema, "cenas vomitadas" ele sorrir sem querer. Recordações de um passado formado por dias de volúpia e palavras ternas a esmo.
Lucas sente uma dor aguda  em sua costa, ele esta com febre e a dor aguda nada mais foi que a primeira gota de água da chuva. Rapidamente Lucas ver-se encharcado, o vomito agora diluído é levado pela água; seguindo em uma sarjeta, os rostos flutuando à um esgoto qualquer.
Em desespero, Lucas tenta correr mais rápido que a velocidade da água; tentar tocar aquele rosto, resgatar algum fragmento daquele passado de ventura.
"Meu Deus! O quê estou fazendo", Lucas questiona-se ao ver apenas um pedaço dejeto em sua mão, ali não existe rosto algum, recordações e muito menos o trará felicidades.
Com desgosto e algum sofrimento Lucas finalmente entende que aquele passado está podre e fede.

30.8.10

Suas lágrimas, meu escárnio.

Estamos em um funeral, você chora e ela esta morta. Suas lágrimas, meu escárnio.
Não chore perto de mim, eu peço. Ela era apenas uma mulher que ganhava a vida fácil. Beije-a agora meu caro amigo, desejo que meu escarro ainda estaja naqueles lábios que um dia eu beijei tão sequioso, o pungente sabor de todas as minhas desventuras de mancebo.
A nênia não podia ser mais lenitiva. Leve, leve esse corpo sem vida de perto de mim e vá com ela, os dois para qualquer inferno ou purgatório, porém tirem esse sudário, nem isso ela merece.
Vamos meu amigo, conceda apenas um ultimo beijo à essa boca árida, antes que os vermes tenham até isso consumido.

11.8.10

Indulgência

Criança efêmera, tão querido é o seu ser, Como podes beber do cálice da morte tão sequiosamente? Frustro-me ao tentar descrever esse sentimento pungente que consome o meu ser, em uma maldita combinação de cólera e amor.
À cada maço de terra, minha alma soçobra junto à tua. Indulgente somos ambos, perdoaremos um o pecado outro.
Como Deus poderia negar o retorno à Sua morada? Como um pai pode negar um abraço ao filho que volta mais cedo para casa, dizendo que não aguenta mais as dores que sente no corpo e na alma?

8.8.10

Poucas palavras.

Manhã fria,
Ventos sossegados.
Poucas palavras ditas.
Bocas cansadas demais,
Pessoas cansadas demais.
"Então é isso", por fim ela diz.
"Adeus", ele responde.

7.8.10

Quimeras de um cego

Escreva-me com suas mãos.
Dilacerando meus vasos sanguíneos,
Uma tentativa em vão,
Esperança de ar vindouro.
"Sinto muito pelas manchas rubras em suas roupas" Eu digo.
"Tente não sangrar tão freneticamente" Ela responde friamente.

Lembranças,
Quimeras de um cego,
Nunca antes contemplado com o brilho solar.

Por fim,
Cremará meu corpo sem vida,
Cinzas bailando sobre um oceano,
Em uma dança de liberdade.

Morte,
Promessa de paz,
Nunca contemplada por mim.
Deus, perdoe-me por essas palavras vomitadas.

3.8.10

À Werther

Caro Werther, ultimamente seus sofrimentos são os meus únicos amigos. Tenho estudado muito para alcançar um objetivo futuro e isso de alguma forma é motivo de felicidades, porém as infelicidades com as pessoas têm sido cada vez mais constantes; todos parecem crianças tolas e mal criadas aos meus olhos, tão criança quanto eles sou eu ao dar importância. Sei que tenho agido de uma forma um tanto incoerente na maioria das vezes; tudo esta claro, porém não tenho a menor perspectiva de me corrigir.
Em suma, estou precisando de um amigo e você seria o mais indicado à esse cargo. Essa palavra... "amigo" esta cada vez maior, tão grande que não consigo coloca-la para fora sem parecer uma grande piada.

28.7.10

Seca.


A terra gretada,
Seca.
Narra pessoas sofridas.
Crianças choram de fome.
O pai também sente fome.
Motivado por choros e reclamações,
Trabalha feito um animal.
Recebe ponta pés de um mofino,
O mesmo mofino que o rouba.
Ele é um animal,
Grande, forte,
Tem saúde.
E como um bom animal,
Ele se acovarda ao ver a arma do mofino.
Inteligência.

23.7.10

O vento seco, a cura

O vento que voa seco, muda.
E não parece se quer que a tarde soa
Soa assim mesmo de soar
Ela voa. Ecoa o cheiro de flores silvestres
Do ar
E como pássaros que cantam em teu quintal
Vive a dança das bocas: Risos.
Nós cantamos
E estamos vivos assim que presencias
o forte instinto de ser assim
como ninguém é
De estar envolto com o vento seco
que muda com o descanço do sol
A tarde.
Carol de Abreu 23/07/10


Pequena nota: Antigamente pessoas costumavam presentear outras pessoas queridas com obras literárias vindas da alma, não importava se essas palavras pareciam ou não com o presenteado, em uma folha de papel dava-se voz ao coração que cantava a linda melodia do amor e suas variantes. Essas folhas custavam preço de ouro e eram guardadas nas profundezas do coração humano.
Esses valores não mudaram para mim. Hoje ganhei uma folha de ouro com letras escritas em prata. Esse é meu tesouro agora. Muito obrigado querida Carol Abreu, minha grande amiga e alma inspiradora.

18.7.10

Lua

Permanece brilhando durante os séculos e séculos. Estava no mesmo lugar antes de todos nós nascermos e permanecerá mesmo depois do fim, brilhando e trazendo a paz aos corações.
Nascimento, florescimento e morte/ corpo, mente e espírito/ Donzela, Mãe e Anciã.
Abençoados somos ao contemplar teu fulgor despreocupado e sentir seu beijo afável. Contemplo tua formosura assim como uma criança olha o mundo pela primeira vez.

13.7.10

Rock and roll baby, don't you know baby?

Esse estilo musical que passou por tantas transformações ao decorrer das décadas, criando tantas ramificações e cada vez mais adeptos dessa ideologia libertadora e transgressora, talvez por esses dois fatores o rock é um dos estilos mais ouvidos por adolescentes e espíritos que de algumas forma ainda são jovens.
A força critica do punk, as poesias depressivas do post punk, os solos monumentais do progressivo, letras épicas do gótico e sinfonico, a bateria frenética do hard rock, o balanço contagiante do rockabilly, as inovações do alternativo, o som sujo dos grunges...
São por essas e outras que todas as ramificações do rock, gritamos em uma só voz:
VIDA LONGA AO ROCK AND ROLL!

8.7.10

Um objetivo


Olhar ao mundo como um homem que acabou de deixar a prisão aonde esteve trancafiado por anos. Andar pelas ruas da mesma pequena cidade, dessa vez devagar, aproveitando cada aragem, bendizendo a grande estrela brilhante que um dia disse odiar, beijar os pais e abraçar os amigos, desejar "Bom dia" à um estranho na rua e sorrir de graça. No final do dia, sacar uma camêra fotográfica do bolso para registrar o lindo crepúsculo e suas infinitas cores, olhar mais uma vez para a grande estrela brilhante indagando "Mereço mesmo ver tamanha maravilha?"

3.7.10

Rubi

Não leva tanto tempo para o rubi cair e derramar no chão sua profusão de cores.
Com movimentos tão leves e palavras docemente calculados,
A dor, sim ela existe.
A razão para isso?
Quando estamos tão podres que até os lindos rubis fedem,
Eles merecem ser retirados e doados à caridade,
Reciclar, o podre e transforma-lo em belo.

2.7.10

Freak show

Os olhos cinza silenciosamente sofridos,
O cabelo cortado pelas próprias mãos,
Assim como os pulsos, cortes desordenados, cicatrizes.
Sangue e vomito tornam-se uma mistura quase uniforme no vaso sanitário.
Lágrimas brotam de seus olhos,
Sinais tão claros,
Corpo e alma pedem ajuda.
O salvador? Não espere, ele não virá,
Apesar da plateia com olhar fixo, ninguém pode subir ao palco,
O show é seu, o final é você quem escreve.
Não seja tão masoquista.

23.6.10

Conversa com um pequeno Silfo

As palavras saídas dessa caneta são tão verdadeiras e doces que resolvi da-las para você, elas falam sobre uma noite em que se podia sentir o beijo frio da noite no rosto, a umidade trazida dos céus, falam sobre a linda conversa sobre borboletas que na verdade são fadas, sobre conchas cheias de leite em pedido de desculpas à um reino encantado.
A cada "Eu juro, é verdade" eu respondia "Sim, eu acredito" davamos uma risada, nesse momento nem uma guerra no mundo passou a fazer sentido, nem um ódio ou rancor, nesse momento o coração estava coberto de uma felicidade tão verdadeira, uma felicidade trazida pela paz que comecei a acreditar que as mesmas fadas da conversa estavam entre nós, espalhando sua magia e trazendo aquela felicidade ao coração

20.6.10

Entre um quarto escuro e outro.

Fecho os olhos e me vejo em um quarto totalmente iluminado e é quase impossível que ele um dia ele já tenha sido escuro, é difícil pensar que um dia eu tive que entrar, apertar o interruptor para ligar a lâmpada. Aqui estou perfeitamente seguro, mas esta chegando a hora de sair, tenho que sair, tenho medo, não quero entrar em um quarto escuro sozinho, me pergunto o que devo fazer e em alguns momentos penso em não seguir. Apos incontáveis horas tentando achar uma resposta para meus medos ou ao menos um conselho digno acho que finalmente encontrei, o único conselho que posso aceitar é "vá", agora lembro por quantos quartos escuros eu passei para estar aqui, eles sempre pareciam terrivelmente misteriosos e malignos e em todos eles a única coisa que precisei fazer foi respirar fundo e seguir em frente, é claro que em todas eu bati alguma parte do meu corpo, em alguns eu bati varias partes do meu corpo, é claro, eu nunca tinha estado ali, os móveis estão de uma forma que nunca vi sob a clareza da luz, mas bastaram alguns minutos tateando no escuro, (tateando devagar é claro, não queria pisar em um brinquedo e quebrar uma de minhas pernas) para encontrar o interruptor e ligar a luz. Olho para frente e vejo tantos outros quartos escuros, ainda vou ter que fazer todas aquelas lâmpadas brilharem e talvez no meu ultimo dia de vida eu consiga fazer a casa estar complemente iluminada.

15.6.10

E no final, nada é o que parece ser.

De alguma forma esta dor ainda existe, de algum modo ela sobrevive ao tempo e algumas vezes á noite ela acorda em forma de lembranças, carregando cada fragmento de felicidade e de tristeza, os pedaços do meu coração pedem.
Seria muita tolice cheirar as roupas que você usava? Imaturo demais bagunçar o lado da cama aonde você dormia? Agora ele parece terrivelmente arrumado.
Fregüentar os mesmos lugares na tentativa de ver o que não existe parece cada vez mais inútil, de alguma forma tento sufocar a dor, de algum modo tentar ser mais forte e ter a certeza que você não vai mais voltar. Queria ter dito adeus e tocado suas mãos uma ultima vez.
Vida, morte, essa grande barreira de tempo e espaço, nessas noites parecem cada vez mais insuportáveis, a dor, essa grande e grossa agulha atravessada no peito, sufocando e ardendo, as lágrimas quentes molhando o travesseiro, tudo parece denunciar que um dia você existiu e não esta mais aqui.
As palavras que eu preciso ouvir foram levadas com você.

13.6.10

Pega essa!

Apartir do momento em que o ser humano passa a se sentir tão poderoso que não precisa mais respeitar e querer viver em harmonia com a natureza, não podem haver outros resultados que não sejam o caos e a destruição. A natureza não esta errada, ela apenas devolve os impactos do ser humanos. Nunca devemos esquecer quem manda nesse planeta.  Foto do site Banksy

29.5.10

Decoy


Quando ainda somos muito jovens, somos mandados à uma escola, naquele lugar passamos boa parte da vida sendo preparados para uma prova que responderá a pergunta "O que você quer ser quando crescer". Finalmente passamos nessa esperada prova, nos sentimos felizes e passamos mais um pouco de tempo estudando, esperando ter dinheiro o suficiente para ser feliz. Quando finalmente sabemos o que somos agora que crescidos temos que estar entre os melhores no que fazemos e outra vez nos vemos em uma sala, nos preparando para ser um dos melhores. Finalmente estamos em um trabalho que pode pagar o suficiente para uma pessoa ser feliz e adoramos estar ali, afinal passamos toda vida estudando para isso. Guardamos dinheiro, muito dinheiro, quanto mais dinheiro melhor, nunca o suficiente, trabalhos e esperamos o final do mês chegar para guardar mais dinheiro. Um dia ficamos velhos, eles não precisam mais de pessoas velhas afinal existem as novas sempre chegando, somos dispensados. E um dia estamos em casa. Muitos valores no banco e nada na alma.