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14.9.10

II Carta para Werther

Olá Werther, nunca sei muito bem como começar cartas.
Algumas coisas mudaram desde a ultima vez que escrevi para você. O número de pessoas que posso conversar esta diminuindo mais com o passar do tempo (não, você não conta, afinal nunca esta aqui por perto).
Não sei qual a pior parte de tudo isso, não saber se fazer entender ou questionar "o que ganho em ser entendido?". Talvez eu só queria alguém acreditando em mim, ser a minoria não é fácil; porque tudo o que a maioria fala é tomado como verdadeiro.
Talvez você saiba como é abrir os olhos pela manhã e não querer sair da cama. Olhar o seu quarto e desejar ficar ali o dia inteiro. Sem rostos que possam causar qualquer dor, sem recordações de tempo algum...
Mudei com tudo isso, hoje não me pego usando termos como "sempre" e "nunca mais", agora sei que essas palavras são muito grandes para uma pessoa tão pequena quanto eu. Mas posso dizer meu caro, que isso ainda dói como da primeira vez. É mais ou menos como quebrar a perna, sempre é terrível, mas agora você sabe que não deve ficar tão desesperado e sabe também que aquele sofrimento é fêmero. Um dia conversará com um alguém e contará a historia daquela perna, talvez vocês até se divirtam.
Por favor Werther, não responda com palavras de conforto. A felicidade alheia não é ligada à minha. O sorriso de alguém não vai curar um doente em fase terminal. Enquanto aguardo sua resposta para essa carta, fico aqui com meus amigos livros. Falando em livros, precisamos ter nossas conversas sobre literatura o quanto antes, sinto falta delas.

30.8.10

Suas lágrimas, meu escárnio.

Estamos em um funeral, você chora e ela esta morta. Suas lágrimas, meu escárnio.
Não chore perto de mim, eu peço. Ela era apenas uma mulher que ganhava a vida fácil. Beije-a agora meu caro amigo, desejo que meu escarro ainda estaja naqueles lábios que um dia eu beijei tão sequioso, o pungente sabor de todas as minhas desventuras de mancebo.
A nênia não podia ser mais lenitiva. Leve, leve esse corpo sem vida de perto de mim e vá com ela, os dois para qualquer inferno ou purgatório, porém tirem esse sudário, nem isso ela merece.
Vamos meu amigo, conceda apenas um ultimo beijo à essa boca árida, antes que os vermes tenham até isso consumido.

28.8.10

Dança com Natalha

Tire essa maldita máscara do meu rosto, esse miasma começa a me causar náuseas.
Hoje irei ao baile sem ela, ficarei sozinho; dama alguma aceitará meu pedido, "Homens mascarados são mais atraentes" elas pensam.
Sei, a única dançarina que terei essa noite será a senhorita Natalha, ela segurará docemente em meu pulso e bailará nele uma dança furiosa. E ao final da noite, esterei somente eu, Natalha e o ardor efêmero de nossa dança, tingindo tudo de rubro.
Sim, é doloroso. Prefiro o pior martírio a usar aquela máscara outra vez.

23.8.10

Lucas e o poço.

Ébrio de felicidades, Lucas olha o poço; resolve olhar um pouco mais perto, gosta de ver a escuridão e o vazio. O frio o encanta. É tão delicioso a melodia da nênia, em um momento de descuido e encanto o nosso pobre amigo cai. "O poço é muito melhor observado de fora" ele pensa. Como ele deseja estar agora na segurança do brilho macilento da lua, que alias ele nem consegue mais ver. Durante algum tempo Lucas deseja pedir socorro. Logo após Lucas pensa na chegada, na dor de cair de tão alto. Isso deve doer.
Límpido, Lucas não pensa mais na dor da queda, nem em pedir socorro; na verdade, ele só pensa em ficar sozinho. Sozinho e em paz.

6.8.10

Trecho de "Os sofrimentos do jovem Werther"

Quase sempre essas disputas ocorrem por causa de tolices, falta de compreensão e estreiteza de espírito, e, se formos levar em conta o que dizem, tudo acontece com a melhor das intenções.
Por vezes gostaria de pedir-lhes, de joelhos, que não dilacerem com tanta fúria as próprias entranhas

3.8.10

À Werther

Caro Werther, ultimamente seus sofrimentos são os meus únicos amigos. Tenho estudado muito para alcançar um objetivo futuro e isso de alguma forma é motivo de felicidades, porém as infelicidades com as pessoas têm sido cada vez mais constantes; todos parecem crianças tolas e mal criadas aos meus olhos, tão criança quanto eles sou eu ao dar importância. Sei que tenho agido de uma forma um tanto incoerente na maioria das vezes; tudo esta claro, porém não tenho a menor perspectiva de me corrigir.
Em suma, estou precisando de um amigo e você seria o mais indicado à esse cargo. Essa palavra... "amigo" esta cada vez maior, tão grande que não consigo coloca-la para fora sem parecer uma grande piada.